Janeiro 21 2018

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Parte 1: Os antecedentes do cerco a Chaves (1385/86)

 

Por acaso já se interrogou do porquê existir na toponímia flaviense uma avenida denominada D. João I?

Esta avenida tem o seu início no Km 0 da Estrada Nacional n.º 2, na Madalena, terminando na rotunda da Agros, em Outeiro Jusão.

 

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Ao longo dos anos, esta artéria da nossa cidade foi alterando o seu aspeto, como podemos verificar por estas fotografias dos primórdios do século XX, estando uma datada de 1914.

  

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Esta referência toponímica deve-se a um episódio longínquo da nossa história, a crise dinástica de 1383/85.

 

Localização da Avenida D. João I no GoogleMaps

  A Avenida D. João I sinalizada no Google Maps

 

Nas próximas publicações deste blog, iremos abordar a importância da nossa vila de Chaves no contexto dessa crise.

No séc. XIV, o rei D. Fernando envolveu-se em guerras com Castela porque se achava com direitos ao trono. A paz foi conseguida, casando sua filha, D. Beatriz, com o rei de Castela, D. João I.

D. Fernando morre, não deixando descendência, assumindo a regência D. Leonor Teles, a Aleivosa. Acresce a esta situação a crise agrícola e a peste que assola Portugal.

 

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  D. Leonor Teles

 

A regente tinha como conselheiro e amante um fidalgo galego, conde Andeiro. Forja-se um plano, liderado por Álvaro Pais, para matar o conde. Morto este, a regente foge e pede auxílio ao rei de Castela, D. João I.

A população portuguesa estava dividida: de um lado, o povo e a burguesia, apoiando o Mestre de Avis; do outro lado, a nobreza e o clero, receando perder os seus privilégios não apoia, em virtude de o pretendente ao trono ser filho ilegítimo de D. Pedro.

 

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  Esquema genealógico de D. Pedro I

 

O rei de Castela invade o país e toma Santarém.

Em Trás-os-Montes, a grande maioria das vilas tinha “tomado voz” por Castela. Era necessário tomar essas vilas e repor a legalidade. Chaves e Monforte de Rio Livre não foram exceção.

 Pelos dias 14 ou 15 de outubro de 1385, D. João I parte em direção ao norte com as suas hostes. Sobe ao Porto, passa por Guimarães e dirige-se a Vila Real, tomando-a.

A 18 de novembro está em Vila Real ordenando que todos os nobres se apresentem e, caso o não façam, perdem todas as regalias, assim como os que desertem. (1)

 

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Nas vésperas do Natal, com as “suas gemtes e muitos carros cõ ēgenhos e mantimentos e cõ outras cousas a guerra pertemcentes”(2), monta arraial em S. Pedro de Agostém, com a intenção de atacar Chaves que tinha tomado partido por Castela, assim como Monforte de Rio Livre.

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 Brasão de armas da família Atayde

Era alcaide “e estava nela Martin Gonzalez de Atayde, um cavalheiro muito bom de portugal” (2), “fidalgo descendente de Egas Moniz”. (6) Antes do final do ano D. João intimida o alcaide, dizendo: «e ante que partisse pêra alia, mandou dizer ao alcaide que lhe desse o logar e tomasse sua voz (...)» (1). Este negou entregar-se.

 

Referências bibliográficas:

(1) “Chaves Antiga”, Ribeiro de Carvalho, 1929

(2) “Crónica de D. João I”, Fernão Lopes, 1944

publicado por António Alves Chaves às 21:07

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